Nutrigenômica: me diga quais são seus genes expressos, que eu digo como deve ser sua dieta

Nutrigenômica é o estudo da interação dos componentes da dieta com o genoma, resultando em alterações na expressão gênica, estrutura e função das proteínas e outros metabólitos (Subbiah, 2008). O mesmo autor define a Genômica Nutricional como o estudo de fatores dietéticos que afetam a função global do genoma, incluindo diferenças nas respostas baseadas no mapa genético individual e a interação dos fatores dietéticos, com o genoma e as subseqüentes mudanças no metabolismo.

A Nutrigenômica e a Nutrigenética são dois campos da ciência que, apesar de terem abordagens distintas, possuem um único objetivo possibilitando a análise de ambos os fatores ao mesmo tempo. A abordagem Nutrigenômica visa desvendar os efeitos da dieta na saúde (ou produção animal).  Já a Nutrigenética por sua vez, avalia como a composição genética de um indivíduo responde a dieta. Ambas possuem o objetivo comum de melhorar a saúde (ou a produtividade animal) através de dietas personalizadas e são consideradas abordagens poderosas para desvendar a complexa relação entre as moléculas nutricionais, os polimorfismos genéticos e o sistema biológico como um todo.

As diferenças dos fatores nutricionais encontradas nos indivíduos e as respostas individuais destes fatores têm intrigado os cientistas. Apesar de ser conhecido há algum tempo que certos nutrientes podem modificar a expressão gênica, a confirmação só foi possível após o término do Projeto do Genoma Humano.

Na Nutrigenômica os nutrientes são vistos como sinais que afetam uma célula específica do corpo. Os nutrientes são detectados pela célula, através de um sistema. Quando o nutriente interage com este sistema, ele é capaz de alterar a expressão de um gene e consequentemente a produção de determinada proteína. Portanto diferentes dietas, causam diferentes expressões gênicas e diferentes produções de proteínas A Nutrigenômica procura identificar estes padrões de efeitos, que são chamados de dietary signatures. Os genes que são influenciados pelos diferentes níveis de nutrientes, primeiro precisam ser identificados para depois ter sua regulação ser estudada.

Dizer que a Nutrigenômica é um modo eficiente de emagrecer, é um exagero por diversas razões. Personalizar a dieta requer um eficiente diagnóstico. A dieta personalizada requer também a utilização de bioinformática. A maioria destas tecnologias já está disponível, mas estudar o genoma completo de um único indivíduo ainda é extremante caro e é realizado apenas para fins científicos. Mas testes para alguns marcadores/genes já estão disponíveis.

O exemplo de Nutrigenômica é o acúmulo da enzima fenilalanina no sangue, responsável pelos danos no cérebro em pacientes com fenilcetonúria. Por isso, os bebês acometidos por essa doença genética são submetidos imediatamente a uma dieta especial, pobre em fenilalanina.

Outro exemplo é o gene APOA1. Segundo uma pesquisa norte-americana, variações no gene APOA1 (apolipoproteína A1) afetam, de forma diferente, os níveis de colesterol bom (HDL). Até então, os cientistas acreditavam que toda pessoa que adotasse uma dieta rica em ácidos graxos poli-insaturados (ômega-3 e ômega-6), conseguiria aumentar as taxas do HDL e, consequentemente, afastar os riscos de doenças cardiovasculares. Agora, já se sabe que não é bem assim, pois algumas pessoas com determinada mutação nesse gene pode ter uma resposta oposta ao consumo dos nutrientes.

A Nutrição atual procura balancear os nutrientes nas dietas, respeitando, quando possível, as preferências e os hábitos alimentares de cada pessoa. Com a Nutrigenômica, tudo isso muda, pois os profissionais terão que personalizar ao máximo a alimentação, como se estivessem montando um quebra-cabeça. Já existem algumas empresas que oferecem, via internet, serviços de genômica preditiva, estabelecendo relações entre o padrão genético individual e o estilo de vida, incluindo a atividade física e a alimentação. No entanto, considerando o estágio de desenvolvimento da área, e a necessidade do acúmulo de mais conhecimentos científicos, a disponibilização de tais serviços é, ainda, prematura.

A Nutrigenômica é uma ciência que ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento. Mas sem dúvida é uma promessa que pode revolucionar a alimentação e saúde humana e animal.

Fontes

  • Subbiah M.T. Understanding the nutrigenomic definitions and conceptions at the food-genome junctions. OMICS, 2008; 12(4): 229-235.
  • Bergamann M.M., et al. Bioethical Consederations for Human Nutrigenomics. (2008). An Rev Nutr., 28:447-67.
  • Müller M, Kersten S. (2003). Nutrigenomics: Goals and Perspectives. Nature Reviews Genetics, 4: 315 -322.
  • Revista Saúde
  • http://www.avisite.com.br/cet/img/20101105_nutrigenomica.pdf (M.C. Rodriquez).

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